Aspectos Atuais da Reconstrução da Mama

A reconstrução mamária é parte do tratamento global do câncer de mama e desempenha importante papel no difícil processo de reabilitação. O enfoque multidisciplinar, o planejamento pré-operatório e a indicação individualizada e correta de diferentes técnicas são fundamentais para o sucesso da reconstrução e satisfação com o resultado.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Oncoplástica e Expansores - Allergan Academy



Oncoplástica e Expansores de Tecido
Planejamento e Aspectos Relevantes


Dr.Alexandre Mendonça Munhoz
ALLERGAN ACADEMY
BREAST DIVISON
2008

A reconstrução mamária pós mastectomia com o emprego de materiais aloplásticos como expansores de tecidos e implantes de silicone apresentam sua indicação precisa e tem posição de destaque entre as inúmeras opções de reconstrução.  Segundo o Dr.Alexandre Munhoz, deve-se salientar que na escolha por esses procedimentos, bons resultados e baixo índice de complicações podem ser alcançados caso se a indicação para o método e a seleção da paciente forem adequadas. Na última edição da Allergan Academy realizada no Brasil em conjunto com a Jornada Paulista de Cirurgia Plástica contamos com a presença de dois grandes cirurgiões americanos com considerável experiência no emprego de materiais aloplástico na reconstrução mamária. 


Dr. Alexandre Mendonça Munhoz e Dr. Scott Spear (Georgetown University / Washington-DC) no faculty dinner do Congresso Americano de Cirurgia Plástica em Toronto / Canadá.


Dr. Scott Spear, ex-presidente da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica (ASPS) e chefe do serviço de cirurgia plástica da Georgetown University em Washington/DC e Mark Jewell do Oregon e ex-presidente da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica Estética (ASAPS). No evento o Dr. Alexandre Munhoz proferiu uma palestra sobre os principais aspectos da reconstrução mamária com expansores de tecido, aula esta que colocamos os pontos principais e os mais pertinentes questionamentos em destaque a seguir.




- Quais aspectos são relevantes no planejamento do expansor de tecido para a reconstrução mamária ?
Dentre as características gerais, destacam-se o biotipo da paciente, o volume e a posição da mama contralateral. Pacientes magras ou com peso adequado apresentam melhores condições para a reconstrução com expansores. O mesmo é válido para pacientes com volume mamário normal ou portadoras de hipomastia. Em pacientes obesas ou com hipertrofia da mama contralateral existe a necessidade de se utilizar implantes ou expansores com grande volume, objetivando-se alcançar simetria. Nestas situações, os tecidos autógenos podem oferecer melhores resultados estéticos e com menor incidência de complicações. Neste sentido, desenvolvemos um algoritmo baseado publicações realizadas previamente por John Bostwick na década de 90, o qual determina as principais indicações dos tecidos aloplásticos e autógenos de acordo com o volume da mama contra-lateral, o grau de ptose mamária, a expessura dos retalhos remanescentes da mastectomia e a presença de tecido muscular. 


Cirurgia Oncoplástica e Expansores de Tecidos - Algoritmo de condutas para a indicação de tecidos aloplásticos (próteses/expansores) e autógenos (retalhos) - Dr.Alexandre Mendonça Munhoz - Oncoplastic Surgery - Breast Reconstruction - Reconstrução mamária


Desta forma, em pacientes na extremidade direita da curva do algoritmo, há uma maior tendência na indicação dos tecidos autógenos (retalhos) uma vez que a expessura do retalhos da mastectomia são insuficientes para uma cobertura adequada, há insuficiência de tecido muscular, a mama contra-lateral é mais volumosa e há algum grau de ptose mamária. Todavia, no extremo esquerdo da curva a mama contra-lateral é de menor volume, há tecido suficiente para uma boa cobertura e com presença de tecido muscular. Assim, seria uma boa indicação para o emprego de expansores de tecido e, no caso específico, a possibilidade de se empregar a técnica do "dual-plane" preconizado pelo grupo de Washington.


- Há relevância na qualidade técnica da cirurgia oncológica no planejamento do expansor ?
Este ponto é importante e está relacionado diretamente com a característica da pele remanescente da mastectomia e a preservação do músculo peitoral. Na reconstrução imediata é fundamental a viabilidade e a qualidade dos retalhos cutâneos da região mamária. Retalhos com pequena espessura e a presença de estase venosa e/ou isquemia nas extremidades são fatores importantes na avaliação intra-operatória após a cirurgia oncológica. Nesta situação a reconstrução com o expansor fica inviabilizada uma vez que a possibilidade de necrose e posterior extrusão do expansor é alta. Já nas reconstruções tardias, podem existir os efeitos deletérios da radioterapia e a presença de cicatrizes de má-qualidade decorrentes de mastectomias mais radicais. A presença de pele adelgaçada, atrófica e ausência de tecido muscular, como se pode verificar nas mastectomias do tipo Halsted, inviabilizam a reconstrução com expansor uma vez que a possibilidade de deiscência durante a expansão não é desprezível. Nestas situações a utilização de retalhos locais ou a distância estariam indicados, apresentando menor índice de complicações.





- Quais são os principais tipos de expansores de tecidos existentes atualmente?
De maneira geral pode-se dividir os expansores quanto ao seu formato, redondo ou anatômico, quanto a superfície de revestimento, liso ou texturizado e quanto ao sistema valvular, incluso ou remoto. Atualmente e frente as características biomecânicas da expansão mamária há uma tendência maior na utilização dos expansores anatômicos ou chamados de "polo inferior". Este fato deve-se a premissa que a grande maioria das insuficiências cutâneas pós mastectomia são verticais a não horizontais e dessa forma promovendo uma expansão maior do polo inferior da mama consegue-se um resultado mais natural. A superfície texturizada também apresenta benefícios uma vez que promove maior aderência tecidual e evita deslocamento. A válvula inclusa permite um maior conforto na expansão além de reduzir a possibilidade de infecção ou rotação da válvula remota.

Cirurgia Oncoplástica e Expansores de Tecidos - Modelo de expansor de tecido texturizado com válvula inclusa anatômico (133 style McGhan) - Dr.Alexandre Mendonça Munhoz - Oncoplastic Surgery - Breast Reconstruction - Reconstrução mamária.













É fato atualmente entre todos os cirurgiões habilitados na cirurgia oncoplástica que a integração com a equipe de mastologia é de fundamental importância para o bom resultado final e a ausência de complicações decorrentes da expansão. Segundo Dr. Munhoz "O planejamento das incisões e a margem de ressecção cutânea devem ser apropriadas para a síntese primária do retalho sem tensão na sutura cutânea. Este passo deve ser planejado em conjunto com as duas equipes avaliando-se a segurança oncológica da margem de ressecção e a viabilidade do retalho remanescente". 


Cirurgia Oncoplástica e Expansores de Tecidos - Modelo de expansor de tecido texturizado com válvula inclusa anatômico (133 style McGhan, atual Natrelle Allergan) - Submodelos FV, MV, SV e LV e compatibilidade com o sistema 410 na troca do expansor pela prótese. Dr.Alexandre Mendonça Munhoz - Oncoplastic Surgery - Breast Reconstruction - Reconstrução mamária.


É consenso também que o retalho remanescente deve-se apresentar de aspecto homogêneo e com perfusão sanguínea adequada em suas bordas. A presença de sinais de isquemia, lesão tecidual macroscópica decorrente de tração excessiva  e estase venosa devem ser investigados e uma vez presentes deve-se avaliar a necessidade de debridamento previamente à sutura cutânea sobre o expansor.





- Os expansores texturizados, anatômicos e com válvula inclusa são considerados como os mais favoráveis para a reconstrução mamária imediata. Como é o processo de expansão uma vez que a válvula encontra-se dentro do expansor ? Há riscos ?
Todo mecanismo de expansão desenvolvido no sistema de válvula inclusa é prático e seguro para o cirurgião e confortável para a paciente. Por meio de uma placa magnética, que também protege o expansor de perfurações inadvertidas, consegue-se localizar externamente a região principal para a punção. Por meio de uma sistema simples semelhante à uma bússola delimita-se as coordenadas da placa magnética. Em pacientes magras e com o expansor retromuscular a distância entre a pele é por volta de 1,5 - 2,0 cm e pode ser realizada de maneira segura com uma agulha tipo "scalpe" no. 23. Já em pacientes obesas esta distância pode chegar a 3 - 4 cm e há necessidade de um comprimento maior de agulha como o observado no "jelco" no. 20 ou 22. Calibres maiores podem levar a insuficiência da válvula e perda de volume do expansor.

Cirurgia Oncoplástica e Expansores de Tecidos - Modelo de expansor de tecido texturizado com válvula inclusa anatômico (133 style McGhan) - Sistema da válvula e localizador magnético para injeção percutânea. Dr.Alexandre Mendonça Munhoz - Oncoplastic Surgery - Breast Reconstruction - Reconstrução mamária.









 Dr. Peter Cordeiro, chefe do grupo de cirurgia do Hospital Memorial Sloan-Kettering Cancer Center de Nova York, apresenta hoje uma das maiores casuísticas mundiais na utilização do sistema de expansores anatômicos, texturizados e com válvula inclusa. Segundo Cordeiro, esse sistema é seguro e oferece algumas vantagens em relação aos expansores redondos. Devido a sua conformação, permite uma maior projeção do polo inferior e médio da mama fato este facilita o segundo tempo com simulação de um contorno mais natural da mama.


Dr. Peter Cordeiro (Memorial Sloan-Kettering Cancer Center Hospital - New York) e Dr. Alexandre Mendonça Munhoz em painel sobre reconstrução mamária e cirurgia oncoplástica com emprego de expansores de tecidos / implantes mamários de silicone de última geração. Breast Reconstruction, Oncoplastic Surgery, Dr. Alexandre Munhoz



- Quais são os principais critérios empregados na escolha e inclusão do expansor de tecidos ?
A escolha e posicionamento ideal do expansor é baseada na análise comparativa com a mama contralateral. Realiza-se a mensuração da base e altura da mama oposta e através destas medidas opta-se pelo expansor com dimensões semelhantes. Nas reconstruções imediatas deve-se posicionar o expansor em plano retromuscular com o objetivo de obter maior proteção e menor possibilidade de exposição e extrusão do mesmo. O espaço retromuscular é criado a partir da dissecção de uma loja entre o músculo peitoral maior e o gradeado costal. Na região lateral disseca-se também o músculo serrátil, realizando-se a sutura da borda do mesmo junto à borda lateral do músculo peitoral maior após o posicionamento do expansor. Esta tática visa a obtenção de maior proteção ao expansor, uma vez que toda a loja permanece protegida por tecido muscular. 


Características do expansor de tecidos Allergan / Natrelle estilo 133, texturizado e com válvula inclusa. Dr. Alexandre Mendonça Munhoz. Cirurgia Oncoplástica, Oncoplastic Surgery, Reconstrução Mamária.


- Existe relevância do índice de massa corpórea ou biotipo da paciente neste planejamento ?
Alguns aspectos são importantes nesta questão e envolve limitações técnicas na execução do procedimento. Em pacientes magras e brevilíneas e a presença de expansores de maior volume, a completa cobertura muscular com os músculos peitoral e serrátil torna-se tecnicamente difícil pela desproporção conteúdo-continente. Nesta situação deve-se atentar para a proteção muscular sobre o expansor nas regiões de maior tensão e na incisão cutânea, regiões estas com maior incidência de erosão e deiscência. Na região do polo inferior da mama, o expansor pode permanecer em posição subcutânea uma vez que esta região apresenta-se bem vascularizada por ramos perfurantes do músculo peitoral maior e reto abdominal, bem como apresenta maior conteúdo de tecido celular subcutâneo. 


Cirurgia Oncoplástica e Expansores de Tecidos - Modelo de expansor de tecido texturizado com válvula inclusa anatômico (133 style McGhan, atual Natrelle Allergan) - Submodelos FV, MV, SV e LV e compatibilidade com o sistema 410 na troca do expansor pela prótese. Dr.Alexandre Mendonça Munhoz - Oncoplastic Surgery - Breast Reconstruction - Reconstrução mamária.


Esta conduta é adotada de maneira frequente pelo grupo de Washington representado pelo colega Scott Spear o qual preconiza a inclusão do expansor em um plano mixto; submuscular nos 2/3 superiores-mediais e subcutâneo no 1/3 inferior-lateral. Todavia para esta manobra tática é fundamental a espessura e qualidade da pele e tecido subcutâneo na região ínfero-lateral. Nestes casos, a síntese deve ser sempre realizada por planos e de preferência com fios cirúrgicos inabsorvíveis uma vez que a pele e o tecido subcutâneo serão submetidos à tração e os efeitos deletérios da radioterapia complementar. Outro ponto importante está relacionado à incidência de complicações nestas pacientes com maior índice de massa corpórea. Um interessante trabalho publicado em 2008 pelo grupo do Hospital Memorial de Nova York avaliou os fatores preditivos clínicos para complicações pós-operatórias em pacientes submetidas à reconstrução mamária com expansores de tecido texturizados e com válvula inclusa.

Cirurgia Oncoplástica e Expansores de Tecidos - Fatores preditivos para complicações pós reconstrução da mama com expansores de tecido (extraído de McCharty et al., Plastic and Reconstructive Surgery 2008) - Dr.Alexandre Mendonça Munhoz - Oncoplastic Surgery - Breast Reconstruction - Reconstrução mamária.


Neste estudo, e englobando 1170 reconstruções realizadas em 880 pacientes em 2 anos, os autores observaram que na análise univariada as pacientes obesas (IMC maior que 30) apresentaram maior incidência de complicações que as pacientes não obesas (p<0,002). Neste grupo as obesas apresentaram 2,2 vezes (odds-ratio) mais chances de complicações que as não obesas. No mesmo estudo, além do fator obesidade, as pacientes mais idosas (idade maior que 65 anos), hipertensas e fumantes também apresentaram mais complicações significantivas que as pacientes mais jovens, sem hipertensão e não fumantes. Desta forma torna-se importante uma ponderação na indicação da reconstrução nestes grupos de risco e a individualização das técnicas com objetivo de se minimizar as complicações e os resultados insatisfatórios.


Plastic and Reconstructive Surgery 2008, 121(6); 1886-1892.


- Que detalhes são importantes no seu posicionamento e o sulco infra-mamário ?
O correto posicionamento do sulco infra-mamário é crucial para a adequada expansão do polo inferior da mama e a correção da insuficiência cutânea vertical. Habitualmente na mastectomia e devido à ressecção cutânea ocorre a subida natural do sulco. Ademais, e visualizando a simetrização há a necessidade de posicionar mais inferiormente o novo sulco infra-mamário. Assim, deve-se posiciona-lo entre 1-3 cm abaixo do sulco original e do sulco contra-lateral. Em mamas sem ptose e que a paciente deseja aumentar a mama contra-lateral esta medida se aproxima de 1 cm. Em mamas maiores e com ptose, o novo sulco pode se posicionar até 3 cm abaixo do sulco original.

Cirurgia Oncoplástica e Expansores de Tecidos - Posicionamento do expansor de tecido texturizado com válvula inclusa anatômico (133 style McGhan) de acordo com o sulco inframamário e o grau de ptose da mama - Dr.Alexandre Mendonça Munhoz - Oncoplastic Surgery - Breast Reconstruction - Reconstrução mamária.











- Qual a rotina habitualmente utilizada na expansão pós-operatória ? Quando é o momento oportuno de parar e planejar a 2a. etapa ?
Habitualmente a expansão deve-se iniciar em um período de 2 a 3 semanas após o procedimento cirúrgico desde que tenha ocorrido adequada cicatrização da incisão cirúrgica. Este processo é lento e periódico, realizado em períodos semanais e com volumes que não ultrapassem aproximadamente 10% do volume total do expansor. Clinicamente pode-se ter idéia do volume adequado das expansões periódicas, quando a paciente referir que está sentindo “a pele tensa”. Volumes adicionados em excesso, provocam dor, sinal este característico de que está havendo isquemia dos tecidos. Deve-se nestes casos retirar fluído do expansor, até cessar o processo álgico. Em situações específicas pode-se realizar pequenas expansões intraoperatórios desde que não comprometam a vascularização dos retalhos. 


Deve-se atentar, nesta situação, para o edema pós-operatório que pode acentuar a tensão na sutura cutânea nos primeiros dias reduzindo assim a perfusão sanguínea nos retalhos e conseqüentemente advir a isquemia.
Após período de três a seis meses e o término completo do tratamento oncológico adjuvante pode-se realizar com segurança a troca do expansor pelo implante definitivo. Os critérios de escolha do implante mamário devem-se basear nos mesmos para a escolha do expansor devendo-se atentar para a base e altura da mama contralateral. Deve-se salientar que na maioria das situações há a necessidade de simetrização da mama contra-lateral e este fato também contribui para a escolha do implante definitivo.


- Quais são as características principais do implante-expansor biodimensional ? Este sistema pode ser considerado mais avançado que os expansores convencionais ?
O implante-expansor biodimensional (também conhecido como estilo 150) foi desenvolvido em meados da década de 90 pelo colega americano Patrick Maxwell o qual tivemos a oportunidade de trocar experiências nos dois últimos congressos de cirurgia mamária; Rio de Janeiro/2008 e Atlanta/2009. O sistema apresenta um compartimento anterior constituído por silicone gel coesivo e outro posterior formado por solução salina (soro fisiológico 0,9%). Desta forma existe uma porção estável, não mutável e semelhante aos implantes convencionais, e outra de volume flexível e que pode ser adaptada as diferentes situações durante a evolução do pós-operatório.


Cirurgia Oncoplástica e Expansores de Tecidos - Modelo de prótese-expansora texturizada com válvula remota anatômica (150 style McGhan) - Nota-se na ressonância magnética, as camaras anteriores com silicone gel e as posteriores com solução salina - Dr.Alexandre Mendonça Munhoz - Oncoplastic Surgery - Breast Reconstruction - Reconstrução mamária.


Ambos apresenta uma camada Biocell texturizada, formato anatômico biodimensional e a presença da válvula remota. Nas situações de mastectomia com preservação de pele (profilática ou tumores pequenos/carcinoma in situ) tem sua aplicação com vantagens em relação aos demais tipos de implantes. Permite pequenos "ajustes" no decorrer do pós-operatório e em nível ambulatorial além de promover no pós-operatório imediato um sistema de "baixa tensão" no retalho cutâneo remanescente da mastectomia por meio da retirada do volume após a montagem da mama. 


Cirurgia Oncoplástica e Expansores de Tecidos - Modelo de prótese-expansora texturizada com válvula remota anatômica (150 style McGhan) -  Dr.Alexandre Mendonça Munhoz - Oncoplastic Surgery - Breast Reconstruction - Reconstrução mamária.









 


Como qualquer técnica cirúrgica, o emprego do implante-expansor apresenta sua indicação precisa na reconstrução da mama pós-mastectomia. Baseado na nossa experiência em mais de 10 anos empregando este tipo de sistema de reconstrução, o implante-expansor apresenta grande utilidade na reconstrução pós cirurgias preservadoras de pele (skin-sparing mastectomy) onde existe o excedente do retalho cutâneo e há a necessidade apenas do preenchimento de volume. Todavia, nessas situações é fundamental a colaboração/cooperação com o mastologista uma vez que a qualidade do retalho da mastectomia é crucial para a indicação do método. O nosso grupo apresenta uma experiência satisfatória no emprego deste sistema nas chamadas "nipple-areola sparing mastectomy" (NAS) onde todo a pele da mama é preservada e retira-se apenas o conteúdo glandular. 
Indicado em situações de cirurgias redutoras de risco, tumores in situ, ou tumores pequenos (<2 cm) e distantes da aréola (> 5cm) e reconstrução pós NAS com implante-expanso rem mostrado bons resultados com baixo índice de complicações. Esta experiência inicial foi motivo de uma publicação recente no periódico europeu The Breast onde avaliamos a parte técnica do acesso periareolar com duplo-halo e a reconstrução com o implante-expansor no plano submuscular parcial. 

Breast 2009, 18(6); 356-366.



- A radioterapia pode ser considerada uma contra-indicação absoluta para o emprego do expansor de tecido ou do sistema implante-expansor? Há maior incidência de complicações?
Atualmente questiona-se o papel da radioterapia nos resultados estéticos e na incidência de complicações na reconstrução da mama com expansores/implantes. Todavia, não deve ser considerada como uma contra-indicação absoluta uma vez que o aprimoramento da técnica radioterápica muito evoluiu nos últimos anos. Ademais, com o planejamento computadorizado tridimensional de última geração e o emprego de feixes lineares consegue-se uma maior preservação da pele, tecidos e do próprio expansor e, desta forma reduzindo-se os resultados insatisfatórios. Apesar disto, cada caso deve ser avaliado de maneira individual e em discussão conjunta com o colega mastologista e radioterapeuta com intuito de se conseguir a melhor opção.


Planejamento da radioterapia pós câncer de mama. UCSF, radiation oncology. Cirurgia Oncoplástica. Oncoplastica Surgery. Reconstrução da Mama.


Em um trabalho publicado pelo colega americano Peter Cordeiro do grupo do Hospital Memorial Sloan-Kettering Cancer Center de Nova York no periódico Plastic and Reconstructive Surgery mostrou claramente a influência da radioterapia na incidência de contratura. Neste estudo, pacientes com história de radioterapia prévia apresentaram aproximadamente uma incidência 4 vezes maior de contratura capsular do que as pacientes sem história de radioterapia. Contabilizando apenas contraturas mais graves (Baker IV), o grupo com radioterapia apresentou incidência de 5,6% e o grupo sem radioterapia de 0,3%.


Setor de Radioterapia do Hospital Sírio-Libanês. Dr. Alexandre Mendonça Munhoz. Cirurgia Oncoplástica. Reconstrução da Mama


Segundo o Dr. Peter Cordeiro, a contratura é realmente um problema pós radioterapia porém na grande maioria dos casos se apresenta de maneira leve/moderada e tem tratamento efetivo após cirurgia do 2o. tempo da reconstrução com a troca do expansor pelo implante de silicone definitivo. Nesta etapa, Cordeiro enfatiza que é fundamental a capsulotomia ampla da região mamária com liberação de toda fibrose e aderência cicatricial com objetivo de promover o melhor resultado estético. Na nossa experiência, a grande maioria das pacientes realizam a troca do expansor pelo implante após o término da radioterapia e desta forma acreditamos ser mais efetivo a liberação da fibrose e aderências decorrente da contratura capsular.


Em conclusão, a reconstrução mamária pós mastectomia e a aplicação de técnicas/procedimentos oncoplásticos com o emprego de expansores de tecidos posterior troca para os implantes de silicone apresentam sua indicação precisa e tem posição de destaque entre as inúmeras opções de reconstrução.  Salientamos que na escolha por esses procedimentos, bons resultados e com um baixo índice de complicações só poderão ser alcançados caso se a indicação para o método e a seleção da paciente forem adequadas e tomadas em conta a espessura do retalho cutâneo remanescente, a adequada cobertura para o expansor e a sinergia de tratamento com equipe multidisciplinar. Nesta  edição do Allergan Academy realizada no Brasil em conjunto com a Jornada Paulista de Cirurgia Plástica muitos deste aspectos foram abordados de forma a melhor discutir e elucidar os distintos aspectos da reconstrução da mama com o uso de expansores de tecido.









quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Simpósio de Cirurgia de Mama Estética e Reconstrutiva - Atlanta


Atlanta - Georgia
"Um Grande Evento de Cirurgia Estética e Reconstrutora da Mama"

HOTEL INTERCONTINENTAL 
Buckhead Convention Center
Atlanta
25 anos de Cirurgia Plástica da Mama

Um dos grandes benefícios da globalização, internet, ínumeros eventos científicos etc... foi a possibilidade da constante atualização e difusão do conhecimento médico. Quase que "on-line" pode-se em qualquer parte do mundo, e a qualquer momento, atualizar-se nas mais recentes publicações ou mesmo avanços/descobertas nas diversas áreas do conhecimento cirúrgico. É verdade também que existem raras "descobertas" no mundo de hoje, e na medicina é quase que uma constante. Todavia a confirmação científica ou mesmo discordância de muitos aspectos que achávamos verdades e/ou mentiras absolutas ocorrem a todo momento nas publicações mensais dos chamados grandes periódicos indexados. Apesar destes avanços, e da rápida conexão e acesso existem alguns "meetings" que valem por si só a nossa presença ao vivo. Grandes palestras, discussões ásperas porém científicas (e lógico não pessoais) ainda nos estimulam a vivenciar esses simpósios. Neste sentido podemos citar vários destes eventos em diversas áreas da cirurgia plástica; nariz (Dallas), onco mama (Miami), face (NY) e logicamente... estética e reparadora da mama: Atlanta.

Dr. Alexandre Mendonça Munhoz - Cirurgia Oncoplástica - Reconstrução Mamária - Reconstrução da Mama - Oncoplastic Surgery - Breast Reconstruction

Atlanta é a maior cidade do estado da Geórgia e junto com Miami, Dallas e Houston constitui o eixo de maior prosperidade e desenvolvimento do sul dos EUA. Na Fortune 500, ocupa a terceira posição em número de empresas ficando atrás apenas de New York e Houston. Entre estas merece destaque a sede mundial da Coca-Cola, a AT-T-Mobility e a Sandy-Springs. Desta forma e frente a este cenário no estado da Georgia, em 2009 e comemorando os 25 anos do simpósio, realmente foi um grande evento em Atlanta.



Com o tema "Advances Over a Quarter Century of Breast Surgery" pode-se concluir a temática principal do encontro e as palestras relacionadas no programa científico. Desta forma não poderia deixar de comentar retalhos microcirúrgicos (TRAM livre, DIEP, SIEA etc...), cirurgia oncoplástica, radioterapia e suas implicações, gordura e enxerto, mastopexia c/ ou s/ implantes..., enfim uma série de temas que nada mais representam o que foi nos últimos 25 anos de cirurgia estética e reparadora da mama.













Coordenado pelos Drs.Franklyn Elliot, James Namnoum e Mark Codner, todos cirurgiões plásticos de Atlanta, o evento teve a participação de grande parte de cirurgiões plásticos americanos, exceto pela presença do grupo de São Paulo (Alexandre Mendonça Munhoz) e os Drs. Axel Feller da Alemanha, Emmanuel Delay da França e Mitchell Brown do Canadá.


Dr. Alexandre Mendonça Munhoz - Cirurgia Oncoplástica - Reconstrução Mamária - Reconstrução da Mama - Oncoplastic Surgery - Breast Reconstruction


J. Namnoum, M.D.
James Namnoum é co-diretor do Simpósio de Atlanta há muitos anos e chefe de cirurgia plástica do Hospital St.Joseph em Atlanta. Apresenta grande experiência em cirurgia mamária principalmente na área de procedimentos com cicatrizes reduzidas e deformidades congênitas da mama. Realizou residência em Maryland no Johns Hopkins Hospital e fez especialização com Carl Hartrampf em Atlanta. Mark Codner além de grande experiência na cirurgia estética e reparadora da mama tem como campo de atuação principal a cirurgia órbito-palpebral o qual apresenta várias publicações sobre o tema e é responsável por ume evento anual em Atlanta.


Dr. Alexandre Mendonça Munhoz - Simpósio de Cirurgia Mama Atlanta, Cirurgia Oncoplástica - Reconstrução Mamária - Reconstrução da Mama - Oncoplastic Surgery - Breast Reconstruction


Franklin Elliot, M.D.
Franklin Elliot é um dos precursores dos retalhos microcirúrgicos para reconstrução mamária tendo realizado em conjunto com o grupo de Atlanta as primeiras séries na década de 90 de reconstrução com retalho TRAM livre. Também discípulo de Carl Hartrampf coordenou por muitos anos a cirurgia plástica do renomado Emory Hospital tendo atualmente foco maior em cirurgia estética da mama.





No último dia do Simpósio houve a oportunidade de discutir em um painel com outros colegas a cirurgia oncoplástica e alguns aspectos relevantes no planejamento, técnicas principais e radioterapia. Coordenado pelo brilhante Albert Losken, do Emory Hospital e grande entusiasta da oncoplástica nos EUA, houve a participação do Grant Carlson de Atlanta e um dos pioneiros nas cirurgias com preservação de pele e reconstrução imediata na década de 80. Diferente dos eventos precedentes, pela primeira vez colocou-se uma mesa redonda de cirurgia oncoplástica abordando a reconstrução da mama pós cirurgia conservadora / quadrantectomias e setorectomias. Na mesa redonda o Prof. Luiz Vasconez de Birmingham estado do Alabama mostrou sua experiência no tratamento de grandes complicações pós reconstruções mamárias sem sucesso. O Prof.Vasconez tem mias de 130 trabalhos publicados e indexados pelo Pubmed sendo quase que 30 relacionados exclusivamente com cirurgia da mama. Na década de 70, e em conjunto com John Bostwick 3rd., foi um dos primeiros a publicar sobre a reconstrução da mama pós cirurgia radical utilizando a técnica do retalho do músculo grande dorsal.



Bostwick J, Vasconez L. et al.
Plastic and Reconstructive Surgery 1979, 63(1), 31-38.

Axel Feller, M.D.
A seguir, Axel Feller da Alemanha um dos pioneiros e talvez com a maior experiência européia sobre reconstrução mamária com microcirurgia descorreu sobre a radioterapia em reconstrução com tecidos autógeno. Já na década de 90, foi responsável por uma das primeiras publicações sobre reconstrução da mama com retalho TRAM microcirúrgico na Europa. Com experiência na Universidade de Munich em conjunto com o Prof.Biemer, Dr.Feller descreve a experiência em 1990 de 23 reconstruções uitlizando o retalho miocutâneo do reto do abdome. 



Feller et al.
Annals of Plastic Surgery 1990, 25 (6), 425-434.


Ademais, Axel foi um dos grandes responsáveis pelo início da reconstrução da mama na Alemanha e diferente dos outros colegas apresenta uma formação em cirurgia oncológica e plástica, fato este que optimiza os resultados e enaltece o conceito maior da cirurgia oncoplástica moderna. Apresenta atualmente uma das maiores casuísticas em reconstrução imediata da mama com retalhos microcirúrgicos, entre estes a reconstrução com retalho DIEP livre.


Dr. Alexandre Mendonça Munhoz - Cirurgia Oncoplástica - Reconstrução Mamária - Reconstrução da Mama - Oncoplastic Surgery - Breast Reconstruction


Nesta mesma mesa participaram ainda Philip Israel de Atlanta que abordou alguns aspectos da reconstrução parcial da mama e a radioterapia com seus efeitos positivos e negativos. Representando o Brasil, Dr.Alexandre Mendonça Munhoz mostrou a experiência na utilização das técnicas de deslocamento de volume glandular para a reconstrução imediata pós cirurgia conservadora. Entre as técnicas principais abordadas merece destaque os procedimentos de mamoplastia/mastopexia, o emprego de retalhos glandulares locais e os retalhos perfurantes intra-mamários, tendo este último um maior desenvolvimento nos últimos anos pelo maior conhecimento da anatomia vascular da região torácica lateral.




Segundo Dr.Munhoz, as técnicas de mamoplastias e mastopexia se enquadram em um grande grupo conceitual de procedimentos cirúrgicos que é denominado de técnicas de deslocamento de volume ou em inglês "volume displacement techniques". Entre as principais técnicas podemos citar os retalhos glandulares de avanço simples, aproximação ou rotação. As técnicas mais elaboradas de avanços glandulares como a técnica "asa de morcego" ou "bat-wing" muito empregada por mastologistas nos EUA e as técnicas de cirurgia estética da mama como mamoplastias redutoras e mastopexias.


Breast Surgery Symposium - Atlanta 2009 - Dr. Alexandre Mendonça Munhoz - Conferência: Volume Displacement Techniques for Immediate Conservative Breast Surgery Reconstruction - Cirurgia Oncoplástica - Reconstrução Mamária - Reconstrução da Mama - Oncoplastic Surgery - Breast Reconstruction


Em relação as técnicas de mastopexia, os principais benefícios estão relacionados a correção da ptose mamária e por consequência o maior benefício estético quando comparado aos retalhos glandulares convencionais. De maneira geral o tempo cirúrgico é relativamente curto e o pós-operatório semelhante a uma cirurgia conservadora isolada sem técnicas de reconstrução. Todavia, a técnica de mastopexia é indicada para defeitos cutâneo-glandulares pequenos/moderados e envolvem algum grau de deslocamento do sítio tumoral original. Ademais, há a necessidade de treinamento prévio com técnicas de cirurgia plástica mamária e manipulação de pedículos cutâneo-glandulares.


Breast Surgery Symposium - Atlanta 2009 - Dr. Alexandre Mendonça Munhoz - Conferência: Volume Displacement Techniques for Immediate Conservative Breast Surgery Reconstruction - Cirurgia Oncoplástica - Reconstrução Mamária - Reconstrução da Mama - Oncoplastic Surgery - Breast Reconstruction


Todavia, o maior fator indicador ou mesmo limitante para o emprego das técnicas de mastopexia como procedimento para a reconstrução pós cirurgia conservadora da mama, está relacionado na proporção volumétrica entre o volume mamário remanescente e a dimensão da ressecção cutânea-glandular. Desta forma, tumores pequenos em mamas mais volumosas existe uma maior flexibilidade na indicação das técnicas de deslocamento glandular e, sobretudo de mastopexia. Por outro lado, em mamas de menor volume e com tumores maiores, há grande limitação na aplicação destes procedimentos. Nesta situação há a necessidade de se ponderar na incidação das técnicas de reposição de volume ou "volume replacement techniques" como os retalhos locais. Neste sentido, é fundamental na programação da reconstrução oncoplástica da cirurgia conservadora, a avaliação da relação VOLUME MAMÁRIO REMANESCENTE x VOLUME DE RESSECÇÃO TUMORAL.


Breast Surgery Symposium - Atlanta 2009 - Dr. Alexandre Mendonça Munhoz - Conferência: Volume Displacement Techniques for Immediate Conservative Breast Surgery Reconstruction - Cirurgia Oncoplástica - Reconstrução Mamária - Reconstrução da Mama - Oncoplastic Surgery - Breast Reconstruction

Outro ponto não menos importante abordado na conferência foi o melhor momento para a indicação da reconstrução e aplicação das técnicas de deslocamento de volume. O Dr. Munhoz enfatizou em sua apresentação que estes procedimentos podem ser realizados em qualquer época, porém a abordagem imediata apresenta algumas vantagens uma vez que ambas cirurgias (oncológica e reconstrutiva) são realizadas em um mesmo tempo operatório. Já as reconstruções tardias encontram-se como 2a opção e tem seu papel principalmente na situação onde se desconhece a qualidade e o planejamento da radioterapia adjuvante pós-operatória. 


Breast Surgery Symposium - Atlanta 2009 - Dr. Alexandre Mendonça Munhoz - Conferência: Volume Displacement Techniques for Immediate Conservative Breast Surgery Reconstruction - Cirurgia Oncoplástica - Reconstrução Mamária - Reconstrução da Mama - Oncoplastic Surgery - Breast Reconstruction


É fato que a radioterapia pode influenciar no resultado estético final e alterar o resultado da reconstrução em termos de volume e simetria. Desta forma, nas reconstruções tardia poder-se-ia esperar uma maior previsibilidade de resultado uma vez que os efeitos da radioterapia já se manifestaram localmente. Apesar da lógica neste pensamento, a afirmação não é compartilhada pela maioria dos estudos sobre o tema. Sabe-se que as reconstruções tardias apresentam uma maior dificuldade técnica na manipulação de tecidos previamente irradiados e com certo grau de fibrose. Ademais, a experiência mostra que a incidência de complicações é maior no grupo tardio que no imediato.


Dr. Alexandre Mendonça Munhoz - Cirurgia Oncoplástica - Reconstrução Mamária - Reconstrução da Mama - Oncoplastic Surgery - Breast Reconstruction - Franklin Elliot, Axel Feller, Alexandre Munhoz e Patrick Maxwell.


Entre as técnicas habitualmente empregadas no que tange o remodelamento mamário, merece destaque as mamoplastias baseadas no pedículo inferior com ou sem a utilização do CAP. De fato, por meio da preservação dos vasos perfurantes do 5o. e 6o. espaço intercostal na região mediana da mama consegue-se moldar um retalho de polo inferior que avança para a região central da mama. Nas situações onde consegue-se preservar o complexo aréolo-papilar (CAP), utilizamos a técnica convencional de pedículo-inferior habitualmente empregada em reduções estéticas. No quadrante central clássico, com retirada da aréola e da papila, empregamos uma ilha de pele de diametro semelhante e localizada no polo inferior da mama. Com o princípio do retalho "plug" esse tecido é avançado para o quadrante central e em um 2o. tempo cirúrgico, e após a radioterapia, realiza-se a reconstrução da aréola e papila.


Como vantagens no emprego mamaplastia podemos citar o melhor resultado estético advindo da redução e reposicionamento da mama, o menor índice de complicações cutâneas advinda da radioterapia pós-operatória, a maior simetria decorrente da redução da mama contra-lateral e a maior extensão da margem cirúrgica. Como desvantagens há a alteração do sítio tumoral original e a presença de maior cicatriz intramamária, fato este relevante no seguimento pós-operatório.




Apesar das limitações secundárias à maior manipulação do sítio tumoral, as diferentes casuísticas clínicas apresentadas até o presente momento demonstraram resultados oncológicos favoráveis e seguros quanto à sobrevida e a recidiva local. Todavia, a maioria dos estudos são baseados em séries iniciais, retrospectivas e empregando diferentes técnicas por distintos cirurgiões. Desta forma, estudos prospectivos e controlados são necessários para avaliar a segurança da mamaplastia como técnica de reconstrução e sua real interferência no tratamento adjuvante e seguimento após a cirurgia conservadora.